Como eu parei de fumar

Acho que meu principal motivador foi justamente a dificuldade. Não gosto de falar alguma coisa e não cumprir. Não gosto de ser assim em relação aos outros, como poderia ser assim comigo mesma? Quando olhei para trás e percebi quantas vezes tinha falado que pararia em breve, pensei, acho que esse dia chegou. Chegou junto com vários fatores. Em 2016, passei por grandes mudanças. Mudanças internas, externas, profissional, mas principalmente em busca de um propósito de vida. Percebi que precisava sair em busca do que eu queira ser (primeiro saber mais ou menos o que eu queria para depois começar a “andar” nesse sentido). Nesse modelo de nova EU, não cabia o cigarro. Por exemplo, eu cogitava a possibilidade de ir à um evento de meditação e auto conhecimento, aí já me vinha a imagem de mim mesma precisando parar para fumar, uma coisa que não cabia à situação. A parte orgulhosa do meu EU sempre questionou a necessidade e as obrigações impostas. Sempre fui consciente de analisar e aceitar ou não as obrigações externas. Mas essa era interna e não vinha da minha mente consciente. Eu mesma, de alguma forma estava me impondo essa obrigação e abandonar isso começou a parecer muito com liberdade. Liberdade de estar onde eu quiser e ficar lá por quanto tempo eu quiser. De forma confortável. Enquanto busco ter cada vez menos necessidades e usufruir do momento presente, como poderia conviver com uma necessidade tão primitiva e irracional como essa?

Além disso, parece que tudo convergiu. Eu sabia que precisava de três coisas: uma rotina definida por pelo menos três semanas, poucas situações de stress/ansiedade e uma data.

Estava entre um trabalho e outro que não tinha data certa para começar, o que era minha rotina definida e “no stress” por pelo menos três semanas. Estava me cobrando já há algum tempo tirar um dente do siso que não tinha urgência e isso seria a desculpa perfeita para marcar a data. Sabia que os pontos e o processo de cicatrização me motivariam nos primeiros dias e depois seria mais fácil.

Juntar uma coisa que estava me incomodando com o intervalo perfeito foi como ver uma oportunidade única. A sensação foi que o universo estava falando: você pediu, está aí uma forcinha. Se não for agora, depois vai ser mais difícil…

A ideia do último é muito difícil então fui diminuindo até apenas um e só pensei que aquele seria o último depois que apaguei. Os riscos de fumar não são motivadores, para mim pelo menos, eram apenas um peso a ser carregado que gerava culpa, mas nenhuma motivação real. Sou movida por coisas boas e positivas (graças a Deus!) então fiz uma lista de coisas muito boas em parar de fumar e outras que me motivariam quando a situação ficasse difícil. Espalhei post its por todos os lugares.

Teoria da primeira vez

Evitei diversas situações que poderiam me causar vontade. Depois de duas ou três que não pude evitar, percebi que era melhor viver logo todas essas situações e criei o princípio da “primeira vez sem cigarro”. Esse princípio consiste na ideia de que a primeira vez que você vai fazer alguma coisa depois de parar de fumar é muito difícil, mas assim como a rotina básica já se tornou um hábito, essas demais situações também se tornarão. A segunda e a terceira serão imensamente mais fáceis. A primeira vez que voltei da balada, sozinha foi a situação mais difícil de todas que passei. Na segunda, sinceramente, nem lembrei! Sabe aquela situação em que o cigarro fazia parte? Aquele barzinho em que todos sentavam do lado de fora e você sempre fumava quando estava lá? Parece impossível continuar a frequentá-lo, mas não é! A primeira vez que você for lá, depois de parar de fumar, será muito difícil, principalmente se houver álcool envolvido. Mas a segunda e terceira vez será mais fácil do que você imagina.

Analisando todos os materiais que revi essa semana para fazer um post sobre como parar de fumar e os benefícios, percebo que essa questão é muito relativa. Pessoas próximas, que tinham uma dependência muito forte me contam que pouco tempo depois nem lembravam mais e nunca mais tiveram vontade. Com o teste de dependência percebi que a minha dependência era baixa (eu considerava alta) e quase dois meses depois, sinto que falta algo. No começo substituí o ato de fumar por comer, ganhei mais de 10% do meu peso. Agora que estou voltando à quantidade normal de comida, sinto falta, mas não é exatamente do cigarro, nem da comida. Sonhei que estava fumando e me senti mal. Uma sensação de “não acredito que eu não consegui!” Acordada sei que vou conseguir. Não passa pela minha cabeça não resistir à algo tão irracional. Mas o fantasma fica ali, o tempo todo. Pelo que me conheço, a melhor estratégia é focar no novo: nos novos hábitos, no que é saudável, no que é bom. Qualquer energia colocada em outros pensamentos só trazem medo de não conseguir, ansiedade, vazio… Descobrir o que causa esse vazio é desafiador. Preencher ele com outra coisa temporariamente foi importante no processo e vale para todo mundo que está tentando parar de fumar, mas legal mesmo vai ser descobrir como parar de senti-lo. Querer preencher é uma tentação confortável e válida em alguns momentos. Mas porque tê-lo se somos seres completos?

Descobrir a fonte desse vazio e dividir esse caminho com quem também estiver nessa vibe é a energia que me fez criar esse blog. Precisamos de constante lembrança dessas reflexões. Lembrar a cada dia do porque acordamos!

Beijos!

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